Aranha-armadeira
Também conhecida como: Aranha-de-banana
🔎 Identificação
Corpo de 3 a 4 cm, com envergadura de pernas que pode chegar a 15 cm — uma das maiores aranhas de importância médica no Brasil. Coberta de pelos cinzentos curtos, com um par de manchas claras no dorso do abdome formando uma fila ao longo do corpo. O ventre é negro nas fêmeas e alaranjado nos machos, um bom detalhe para diferenciar os sexos — dimorfismo mais visível do que o encontrado nas Loxosceles.
É frequentemente confundida com a aranha-de-grama (Lycosa erythrognatha), que também tem quelíceras avermelhadas e postura defensiva parecida — a diferença mais confiável é o porte (a armadeira é maior e mais robusta) e o ambiente (a aranha-de-grama prefere gramados abertos, enquanto a armadeira se abriga em bananeiras e material de construção).
🧬 Comportamento e curiosidades
Diferente da aranha-marrom, essa não evita o confronto: quando ameaçada, assume uma postura defensiva característica — apoia-se nas patas traseiras, ergue as dianteiras e os palpos, abre as quelíceras e ataca, em vez de fugir. Tem hábitos vespertinos e noturnos, caçando ativamente no chão (não depende de teia) grilos, baratas e outros pequenos invertebrados.
É solitária e territorial — não tolera a presença de outros indivíduos adultos próximos ao seu abrigo. A reprodução é ovípara: a fêmea produz uma ooteca com dezenas de ovos, que ela guarda e defende ativamente até a eclosão, um comportamento de cuidado parental mais desenvolvido do que o das Loxosceles.
É costumeiramente encontrada em bananeiras, folhagens grandes, material de construção, entulho e lenha empilhada, tanto dentro quanto no entorno das residências. Os acidentes são mais comuns em mãos e pés, e concentram-se em abril e maio.
🔄 Confundida com
- Aranha-de-gramaAmbas têm quelíceras avermelhadas e assumem postura defensiva semelhante (patas dianteiras erguidas). A armadeira é maior e mais robusta, e prefere bananeiras e material de construção, enquanto a aranha-de-grama é comum em gramados abertos.
🍽️ Cadeia alimentar
Predadores
- Vespas-caçadoras (família Pompilidae), que paralisam aranhas para alimentar as larvas
- Aves insetívoras de médio porte
Presas
- Grilos, baratas e outros invertebrados de chão capturados por caça ativa (não usa teia para caçar)
⚠️ Sintomas após a picada
A picada é sentida na hora, ao contrário da aranha-marrom: o veneno age de forma neurotóxica, despolarizando canais de sódio nas terminações nervosas de forma semelhante ao escorpião-amarelo, o que explica a dor imediata e intensa, vermelhidão e inchaço no local, às vezes com formigamento e suor localizado — geralmente nos primeiros minutos após a picada.
Em crianças pequenas, o quadro pode evoluir dentro de 1 a 3 horas com sintomas sistêmicos: vômitos, sudorese mais generalizada, agitação, taquicardia e, em relatos raros, priapismo (ereção persistente e dolorosa) — efeito bem documentado do componente PhTx2 do veneno, hoje estudado para uso farmacológico. Manifestações sistêmicas graves como choque ou edema pulmonar são raras, e o prognóstico costuma ser bom.
Assim como em outras aranhas, existe a possibilidade de picada seca, sem inoculação relevante de veneno.
🩺 Tratamento
Na maioria dos casos, o tratamento é sintomático: analgesia local (pode incluir infiltração anestésica) e observação já resolvem o quadro, sem necessidade de soro. A soroterapia com soro antiaracnídico (SAAr) é reservada para os casos que evoluem com manifestações sistêmicas mais intensas, principalmente em crianças, sendo administrada em ambiente hospitalar.
A bula do soro antiaracnídico indica que 'raramente está indicada a administração de doses adicionais', sugerindo protocolo mais simples que o do escorpião, mas o número exato por gravidade precisa ser confirmado diretamente com um protocolo estadual.
O que NÃO fazer: garrotes, torniquetes, incisões no local da picada, aplicação de amoníaco ou substâncias cáusticas — todos contraindicados explicitamente na bula oficial do soro antiaracnídico do Butantan.